As grandes oportunidades do kiwi misturadas q.b. com o vinho e o leite

Braga, 12/03/2014 - Jornadas Empreendedorismo Agrícola  no Hotel Mélia na cidade de Braga.

SESSÃO DE BRAGA MUITO PARTICIPADA – António Perez Metelo moderou< o debate das Jornadas de Braga. Esteve acompanhado (da esquerda para a direita) de Nuno Silva, diretor coordenador da Rede de Empresas Norte do Millennium bcp, Anselmo Mendes, enólogo, Ana Paula Vale, diretora da Escola Agrária de Ponte de Lima (Instituto Politécnico de Viana), Mário Araújo e Silva, subdiretor da Direção Regional de Agricultura do Norte, e Vítor Araújo, líder da kiwi GreenSun

Durante muitas décadas o Douro Litoral e o Minho eram o coração do leite português. Algo mudou? Sim, mas não devido à menor capacidade da produção leiteira da região, que vale um terço de toda a produção nacional. O que sucedeu foi uma explosão de outras culturas que pintaram o verde Minho de vermelho – morangos, framboesas e depois os mirtilos. Entretanto, surge uma nova estrela que repõe o equilíbrio das cores: o kiwi. Para além do vinho verde, claro. Tudo isto acompanhado dos verdes ou laranjas hortícolas que têm nos solos arenosos da Póvoa e Esposende (mas não só) uma prodigiosa produção, exportada, quase metade, para a Galiza.
Voltando ao leite: quando se olha para o crescimento da procura de produtos lácteos na próxima década, compreende-se como há futuro para estas explorações. Fernando Cardoso, presidente da Federação Nacional das Cooperativas de Leite e Laticínios, assinalou – nas jornadas de empreendedorismo JN/ /DN/Millennium bcp que decorreram esta semana em Braga – que no topo da lista está a Arábia Saudita, com mais 70% de consumo previsto em produtos lácteos, seguida por muitos países de rápido crescimento demográfico. Portugal vale apenas 1,27% da quota europeia do leite, o que representa um volume de negócios anual de 800 milhões de euros.
Anselmo Mendes, um dos mais reputados enólogos do País, sublinha que o sector ganhou uma notoriedade mediática desproporcional à sua real dimensão e às dificuldades do investimento. “Quando dizemos vinho verde e depois falamos de valores de 1,20 euros por garrafa… temos de colocar a questão: como se remunera a fileira? Não tenho respeito nenhum pelas empresas que praticam preços muito baixos, não respeitam a fileira que tem de pagar a uva.”
Anselmo produz anualmente 400 mil garrafas de vinho verde e sabe do que fala. Segundo ele, uma das razões para a perda do valor do vinho resulta, em certa medida, da chegada de algum investimento “mod”, de proprietários com outros negócios e que fazem da viticultura uma segunda atividade sem necessidade de contabilizar todos os custos. Para ele, tão importante como surgirem mais produtores, é surgir uma nova geração que se foque na comercialização e faça ganhar valor aos produtores nos mercados internacionais.
E agora, senhoras e senhores… o kiwi!
Uma das mais surpreendentes intervenções da sessão de Braga foi a de Vítor Araújo, da Kiwi GreenSun, uma empresa familiar de Guimarães fundada em 1993 e que detém hoje 25% da quota nacional da produção de kiwi. “Na Península Ibérica há mais do dobro da procura de kiwi face à oferta.” Olhando à lupa esta realidade constata-se que a Kiwi GreenSun tem os pomares plantados pelos concelhos do Entre Douro e Minho (Guimarães, Braga, Amares, Póvoa do Lanhoso, Felgueiras) e apostou em duas variedades Earligreen e Hayward que lhe permitem ter colheitas ao longo de quase todo o ano. Como o kiwi se mantém bem em conservação frigorífica durante pelo menos seis meses, o resultado é a venda de um produto fresco mas ao longo dos 12 meses do ano.
O investimento de 4,5 milhões de euros nos últimos três anos vai trazer ainda maior produção a breve prazo porque, segundo Vítor Araújo, a produção nacional pode multiplicar-se ainda quatro ou cinco vezes. “Há mercado para ela.” Por seu lado, Ana Paula Vale, diretora da Escola Agrária de Ponte de Lima (Instituto Politécnico de Viana do Castelo), assinalou que “sem conhecimento não podemos ter inovação, não temos desenvolvimento. Tem de haver conhe- cimento para conseguir melhorar processos de fabrico e de transformação. Isso é a base”.
Mário Araújo e Silva, subdiretor da Direção Regional de Agricultura do Norte, sublinhou o extraordinário potencial da região Entre Douro e Minho em zonas onde o potencial é menos reconhecido. Como, por exemplo, o caso das “raças autóctones” ou da “produção de leguminosas”. Há ainda dois outros produtos em franco crescimento: o mirtilo e a castanha.
Por fim, Nuno Alves, diretor coordenador da Rede de Empresas Norte do Millennium bcp, mostrou-se fortemente otimista quanto ao “rejuvenescimento do sector” e revelou que neste momento o banco tem 74 operações de investimento em fase de aprovação, muitos deles casados com recursos a programas de financiamento e garantia como o NortInvest ou o AgroGarante. Nuno Alves lembrou ainda o apoio técnico do banco a quem precisa de aconselhamento para investir assim como o potencial de pesquisa de mercados para exportações ou internacionalização num mercado como o da Polónia onde o Millennium bcp mantém uma forte presença.