Portugal é quase autossuficiente na agricultura

Conferencia de empreendedorismo agrícola em Vila Real

Nuno Moreira, professor da Universidade
de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)

Ser, ou não, autossuficiente do ponto de vista da produção agrícola. Eis a questão que foi desmistificada por Nuno Moreira, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), numa intervenção que ficou marcada pornúmeros e realidades que deixam a imagem nítida da nossa agricultura: nos produtos hortícolas e vinhos temos uma taxa de autossuficiência de 170% e 140%, respetivamente. Ou seja: somos exportadores líquidos. Nos cereais e carne somos – e provavelmente sempre seremos – importadores.

A agravar a escassez do cereal estão os níveis de consumo de carne. As rações para animais são uma das rubricas que mais contribui para o disparo das importações de produtos agrícolas (quase 1/3 do total), uma vez que a maioria é comprada ao exterior. O professor da UTAD não tem dúvidas em qualificá-lo como “o grande buraco das nossas contas agrícolas”. Apesar de tudo,  o grau de autoaprovisionamento de Portugal em termos agrícolas anda na casa dos 75% a 80%, logo não deve manter-se “a imagem desgraçada que temos de importar tudo o que comemos”.

Do ponte de vista do valor acrescentado bruto, a região líder do país é o Alentejo, seguido da Lezíria-Tejo, Alto Douro e Trás-os–Montes. A produção animal (bovinos, ovinos e suínos) vale 40% da produção agrícola nacional, enquanto 60% deriva dos produtos vegetais. Aqui o destaque principal vai para a horto e fruticultura, onde se concentram as exportações com maior valor (17,5% em cada um), vinho (14%) e azeite (3%). Bovinos, suínos e laticínios valem cada um entre 11 a 12%. A produção biológica nacional tem apenas 220 mil hectares dos 3,7 milhões em uso agrícola, mas 150 mil são de pastagens biológicas e 18 a 20 mil estão concentrados no olival.