Vinhos e azeite do Douro produzidos no berço da agricultura biológica

Celso Madeira: “Escolham terrenos bons e que tenham água. Não pensem fazer agricultura sem água. Tenham muito cuidado antes de fazerem investimentos. Ou fazem investimentos tradicionais e tentam otimizar o tradicional ou se quiserem meter-se em algo novo vejam muito bem qual será o escoamento possível. Estejam dispostos a fazer muitos sacrifícios na comercialização. É preciso sair muitas vezes, andar muito de avião, falar inglês, trabalhar muito depois da produção.”

Celso Madeira: “Escolham terrenos bons e que tenham água. Não pensem fazer agricultura sem água. Tenham muito cuidado antes de fazerem investimentos. Ou fazem investimentos tradicionais e tentam otimizar o tradicional ou se quiserem meter-se em algo novo vejam muito bem qual será o escoamento possível. Estejam dispostos a fazer muitos sacrifícios na comercialização. É preciso sair muitas vezes, andar muito de avião, falar inglês, trabalhar muito depois da produção.”

A ligação da família de Celso Madeira às Terras de Vila Nova de Foz Côa remonta ao séc. XVII. Beneficiando do clima único da região, encontrou as condições ideais para a prática de agricultura biológica na produção do azeite e vinho. Hoje, com 80 anos, este agricultor comanda um negócio que não para de crescer e que quer conquistar cada vez mais o mercado além-fronteiras.

Celso Madeira é engenheiro civil de formação. A experiência profissional ensinou-o a perceber que na vida não há impossíveis e aos 65 anos a reforma veio na altura certa, mas cedo demais para um homem que não queria parar.

“Por volta de 1995 reformei-me e não tinha nada para fazer. E fui confrontado com uma realidade: tínhamos aqui terras que estavam completamente desaproveitadas e abandonadas. E o que é que se pode fazer com isto?” Esse terá sido o clique que o fez olhar para essas terras em Almendra ao ponto de ter equacionado tornar-se agricultor a tempo inteiro.

Depois de algum trabalho – como o próprio diz, “pé ante pé” – procurou rentabilizar a produção agrícola das terras da família até atingir uma dimensão crítica que lhe permitisse entrar no mercado da agrotransformação. Fez benchmarking, procurou as melhores práticas agrícolas no campo da vinha e do azeite no estrangeiro, e assim, em 1999, nascia a CARM: a Casa Agrícola da Família Roboredo Madeira.

Este tornou-se então no novo projeto de vida de Celso e de toda a família. Uma aposta que só terá sido possível com as ajudas dos fundos comunitários.

Aliás, este empresário agrícola garante que se não fossem os programas europeus de apoio financeiro não teriam feito nada disto: “Muito francamente, comecei já depois de reformado e não ia arriscar tudo quanto tinha para me meter numa coisa destas. Os apoios foram muito importantes na decisão e na execução”.

Do azeite ao vinho

Em Itália, Celso aprendeu com a melhor tradição de produção de azeites. Importou a tecnologia, e em 1996 construía um lagar “State of the Art”. Pouco depois, em 1999, a marca estreava-se com um azeite vencedor na Olivomoura, o primeiro de muitos prémios acumulados ao longo dos anos.

Segundo Celso, a identidade dos azeites Carm confunde-se com o telurismo da região que lhe serve de berço: “Fazemos aqui um azeite típico do Nordeste Transmontano do Douro Superior. É uma região muito seca, com extremos de temperatura e variações climáticas brutais. Daí resulta que praticamente não haja doenças nesta zona” e que faz dela uma região perfeita para a prática de agricultura biológica.

A par do ADN muito próprio deste produto, Celso Madeira destaca as propriedades benéficas dos azeites que produz, ricos em peróxidos e antioxidantes: “são azeites que além de terem propriedades organoléticas excelentes, de aromas e sabores, têm também uma durabilidade espantosa. É normal um azeite destes, estando bem conservado, às escuras e com uma temperatura que não exceda os 18º, conserve as propriedades quase intactas passados cinco e seis anos, o que é uma coisa raríssima no mundo dos azeites”.

Num mercado cada vez mais exigente e competitivo, a CARM tem vindo a investir na modernização. Segundo Celso Madeira “as azeitonas desta zona são complicadas e difíceis”, tendo implicado um investimento de 500 000 euros na modernização do lagar para melhorar a performance da produção, processando hoje pouco mais de um milhão e duzentos mil quilos de azeitona por ano.

Hugo Manuel Correia
hugocorreia@faroldeideias.com