Metade das cerejas consumidas pelos portugueses são originárias da Cova da Beira

cerejas-172Circundada pelas serras da Gardunha e da Estrela, a Cova da Beira é berço de algumas das cerejas mais apreciadas do País. Em 2006, os sócios da Cercobe uniram-se para criar uma empresa para comercializar as produções. Assim nasceu a Cerfundão, fiel depositária das cerejas de mais de cem produtores que faz a seleção e o embalamento até ao cliente final.

Parceria com a Frulact:

Nada se cria, nada se perde, tudo tem valorDe toda a produção recebida, calibrada e embalada, há sempre uma parte da cereja que nunca chega às prateleiras de um supermercado, seja porque não tem o calibre adequado seja porque não reúne as características exigidas pelos clientes. Há mesmo cerejas que nunca chegam a ser colhidas da árvore, por não terem valor comercial. Realidade até pelo menos 2013. Mas, no ano passado, a Cerfundão, em parceria com a Frulact, conseguiu transformar cerca de mil quilos de cerejas de baixo calibre, a título experimental, num subproduto com valor acrescentado. Segundo Pedro Barroca Pires, o objetivo é “valorizar a cereja que hoje não pode ser comercializada em fresco” e explica que “uma parceria com uma empresa do tamanho da Frulact dá perspetivas para o escoamento total da cereja de indústria, o que vai acrescentar valor, porque as perdas serão mínimas”. Esse valor acaba por ser distribuído pelos produtores. Esta parceria com a Frulact foi um começo, mas Pedro Catalão sublinha que este esforço de rentabilização poderá ir mais longe, com a aquisição de maquinaria que poderá permitir aproveitar a totalidade do fruto. O diretor comercial da empresa explica que será possível “aproveitar os pés da cereja, que são excelentes para chá, os caroços para almofadas e até vir a fazer passas de cerejas, que é dos produtos que têm tido alguma procura”.